por Carla Craveiro
em 6 de março de 2026
Em 8 de março celebra-se o Dia Internacional da Mulher. A ocasião rememora as mobilizações por melhores condições de trabalho e igualdade política que as mulheres protagonizaram em diferentes países já nas primeiras décadas do século XX. No ano de 1975, a Organização das Nações Unidas oficializou a celebração como uma maneira de reforçar seu caráter histórico e de reivindicação por direitos, em detrimento de um significado apenas comemorativo.
A violência de gênero, seja institucional, física ou psicológica, é um sério obstáculo a ser enfrentado na vida em sociedade. A participação feminina na política é um caminho para que essa questão seja encarada com estratégias eficazes que assegurem a equidade de direitos na busca por melhores realidades sociais, econômicas, educacionais e culturais para mulheres e meninas.
Segundo dados do Observatório Nacional da Mulher na Política (ONMP), a participação feminina no Poder Legislativo municipal no estado de Goiás cresceu 12,6% entre os pleitos de 2020 e 2024. Já entre 2004 e 2024, o crescimento no número de vereadoras foi de 35,6%. Apesar dos avanços, ter voz e vez no cenário político ainda é, infelizmente, uma meta ambiciosa para elas. Se, em 2024, foram eleitas 411 vereadoras nos municípios goianos, 2.020 vereadores ocuparam cadeiras no mesmo pleito. Esses dados demonstram que ainda há um longo caminho a percorrer para que a atuação das parlamentares em favor da paridade na representação institucional se torne cada vez mais efetiva.
O cenário no Poder Legislativo da Cidade de Goiás
Atualmente, a Câmara Municipal de Goiás tem duas parlamentares exercendo seus segundos mandatos. A equipe de comunicação conversou com as vereadoras Dra. Thalyta Curado e Profa. Iolanda Aquino para saber como elas entendem a contribuição da presença feminina nos espaços de poder e de decisão política para a qualidade da democracia.
Segundo a vereadora Profa. Iolanda Aquino,
"A presença das mulheres nos espaços de poder e de tomada de decisão política é fundamental para a qualidade da democracia, pois uma sociedade democrática precisa refletir, também em suas instituições, a diversidade das pessoas que a compõem. Quando mulheres ocupam cargos políticos, novas perspectivas, experiências e prioridades passam a integrar o debate público, ampliando a sensibilidade das políticas públicas para temas como educação, saúde, cuidado, proteção social e enfrentamento das desigualdades. Trata-se, portanto, não apenas de uma questão de representatividade, mas de fortalecimento do próprio processo democrático, tornando-o mais plural, inclusivo e conectado com a realidade social. Mais mulheres na política significa mais diversidade de vozes, maior legitimidade nas decisões públicas e uma democracia mais forte e representativa.”
A vereadora Dra. Thalyta Curado corrobora essa visão ao salientar que,
“Como mulher e no meu segundo mandato de vereadora, posso afirmar que a participação feminina fortalece o debate público e aproxima o poder público das necessidades reais da população. As mulheres trazem para a pauta temas essenciais, como saúde, educação, assistência social e proteção às famílias, além de um olhar atento às necessidades da comunidade. Também é importante lembrar que somos fortes e devemos ocupar os espaços que desejamos. A política precisa da participação feminina, da nossa coragem e da nossa determinação para transformar a realidade. Quando mais mulheres participam e chegam onde querem chegar, a democracia se torna mais justa, inclusiva e representativa, refletindo melhor a diversidade e a força da nossa sociedade.”
O Dia Internacional da Mulher, portanto, permanece como uma data de memória e de reflexão sobre os caminhos ainda necessários para a construção de uma sociedade mais igualitária. Os avanços registrados na participação feminina na política demonstram que mudanças são possíveis, mas também evidenciam a permanência de desafios estruturais para que mulheres tenham condições efetivas de ocupar e permanecer nos espaços de decisão. Nesse sentido, ampliar a presença feminina nas instituições políticas não se trata apenas de uma questão de representatividade, mas de fortalecimento da própria democracia e de sua capacidade de responder, de forma mais plural, às demandas da sociedade.

